O medo de Ivan é compartilhado por quase todo os alunos de Dourado. O pequeno Lucas, de 10 anos, contou que vive um dilema. "Se eu torcer contra, ele pode voltar a dar aula para a gente, mas não vai ganhar. Se torcer por ele, ele ganha, mas pode não voltar a dar aula. O que eu queria mesmo era que ele ganhasse o BBB e continuasse a ser meu professor", propôs.
Juliano, de 16 anos, faz coro com Lucas e Ivan, que esteve em dois Paredões, e é ainda mais enfático. "Quero que ele saia logo. Gosto muito dele e estou com muita saudade", lamentou.
Querido dentro e fora do tatame
Dourado é unanimidade na academia onde trabalhava. Amigos, professores, funcionários e alunos estão na torcida por ele. Eles foram surpreendidos quando o viram na televisão. O professor havia avisado que ficaria duas semanas fora para resolver problemas de família e voltaria em breve. Passado o susto, os colegas se mobilizaram para substituí-lo imediatamente. Queriam que seu o lugar ficasse guardado para quando ele voltasse.
A gerente da academia, Silvia Barcelos, que esteve no último paredão levando um grupo de alunos, contou que Dourado é muito querido. "Não tem quem não goste dele. Estamos todos mobilizados por nosso professor." Silvia afirmou ainda que os primeiros dias de confinamento mostraram um Dourado diferente do que eles conheciam.
"Acho que aquele marra toda foi defesa. Ele foi excluído e precisou se defender. Ele sabia que aquela era sua segunda chance e não poderia desperdiçar. Depois daquele dia que ele chorou, tudo mudou e ele passou a se abrir mais".
Para os amigos, personalidade bem diferente da mostrada na TV
Para os amigos de Dourado, os rótulos de "homofóbico", "grosseiro" e "machista", que ele rapidamente conquistou, são uma surpresa. Os colegas de academia descrevem o lutador como "guerreiro", "muito simples", "tranquilo", "profissional" e "bom coração".
"Tem muito preconceito contra lutador, que carrega essa imagem de agressivo, bruto, ogro. Dourado não é nada disso. Ele é amigo, tranquilo, da paz. Ele nunca teria coragem de agredir ninguém, muito menos uma mulher", argumentou Theodoro, treinador de jiu-jitsu de Dourado, em referência à polêmica declaração de que bateria em Angélica, se ele estivesse fora do BBB. O colega também descarta qualquer referência à homofobia. "Já saí com ele várias vezes e nunca vi nenhuma reação homofóbica dele. Dourado, acima de tudo, respeita o ser humano", garantiu.
Para Keké Vianna, amigo que substitiu Dourado na turma de judô infantil, a polêmica declaração de que heterosexual não pega Aids foi uma bobagem dita sem pensar. "Temos que entender que o Dourado é gaúcho, teve uma criação diferente, mais conservadora. O gaúcho não é aberto e descolado como o carioca. É mais difícil para ele conviver com algumas situações", ponderou.
O lutador reconhece que Dourado "não é santo" e "responde à alturas as provocações que ouve". "Mas quando você o conhece, vê que ele tem um coração enorme", defendeu.
Nem a imagem de desbocado que fuma e bebe,